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Tesouro Reserva pode disputar espaço com CDB e fundos DI
A partir de março, investidores brasileiros terão acesso a um novo título público que promete mudar a forma como a reserva financeira é construída no país
A partir de março, investidores brasileiros terão acesso a um novo título público que promete mudar a forma como a reserva financeira é construída no país. Batizado de Tesouro Reserva, o produto chega com uma proposta clara: oferecer rentabilidade atrelada à Selic, sem oscilações de preço e com liquidez a qualquer hora — inclusive fins de semana e feriados.
A iniciativa amplia a estratégia do Tesouro Direto, programa criado pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3 para democratizar o acesso aos títulos públicos federais.
Em um país onde a poupança ainda é uma das aplicações mais utilizadas, mesmo rendendo menos do que outros produtos de renda fixa, o Tesouro Reserva surge como alternativa mais eficiente e igualmente simples.
Como funciona o Tesouro reserva
Rentabilidade atrelada à Selic
O título terá rendimento semelhante ao do Tesouro Selic (LFT), acompanhando o juro básico da economia definido pelo Banco Central do Brasil.
Na prática, isso significa acompanhar de perto o CDI, referência para CDBs e fundos DI. Em cenários de Selic elevada, como o vivido recentemente no Brasil, a rentabilidade tende a ser superior à da poupança, que possui regra própria de cálculo.
Sem marcação a mercado
Diferentemente do Tesouro Selic tradicional, o Tesouro Reserva não sofrerá marcação a mercado. Ou seja, o saldo não apresentará pequenas oscilações negativas ocasionais.
Para o pequeno investidor, isso resolve um problema psicológico relevante: aplicar R$ 1.000 e eventualmente ver R$ 998 no dia seguinte, mesmo que temporariamente, gera insegurança. Com o novo título, o valor investido tende a crescer de forma contínua.
Liquidez 24 horas
Hoje, resgates no Tesouro Direto ocorrem apenas em dias úteis, entre 9h30 e 18h, com crédito geralmente no dia seguinte.
O Tesouro Reserva permitirá saques a qualquer hora do dia, inclusive aos finais de semana, com integração ao sistema de pagamentos instantâneos, como o Pix. Na prática, funcionará de forma semelhante a uma conta remunerada.
Aplicações a partir de R$ 1
Outro diferencial relevante é o valor mínimo de aplicação: apenas R$ 1. Atualmente, a maioria dos títulos exige aportes mínimos em torno de R$ 100 ou mais.
Isso amplia o acesso para brasileiros de baixa renda ou que desejam investir pequenas sobras do orçamento, como R$ 10 ou R$ 15.
Prazo e tributação
O prazo será de três anos, inferior ao de muitas LFTs disponíveis no mercado.
A tributação seguirá a tabela regressiva do Imposto de Renda aplicada aos títulos públicos e demais investimentos de renda fixa:
22,5% até 180 dias
20% até 360 dias
17,5% até 720 dias
15% acima de 720 dias
Diferentemente dos fundos DI, não haverá come-cotas (antecipação semestral de IR). O imposto incide apenas no resgate.
Comparação com poupança, CDB e fundos DI
Poupança
A poupança tem rendimento limitado por regra legal. Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, rende 0,5% ao mês + TR. Mesmo assim, historicamente perde para aplicações atreladas ao CDI.
O Tesouro Reserva tende a entregar retorno superior com risco soberano — considerado o menor risco de crédito do país.
CDB com liquidez diária
CDBs de grandes bancos costumam pagar 100% do CDI. Possuem proteção do Fundo Garantidor de Créditos até R$ 250 mil por CPF e instituição.
A diferença principal está no risco: enquanto CDBs carregam risco bancário (ainda que mitigado pelo FGC), o Tesouro Reserva tem risco soberano.
Fundos DI
Fundos DI podem ter rentabilidade próxima ao CDI, mas cobram taxa de administração — em média 0,5% ao ano — e sofrem come-cotas.
Em contrapartida, podem oferecer gestão ativa e eventualmente pequeno ganho adicional.
Inclusão financeira e educação
Especialistas destacam que o Tesouro Reserva pode funcionar como porta de entrada para a educação financeira. Ao eliminar oscilações e simplificar o processo, o produto reduz barreiras comportamentais.
Para investidores iniciantes, a previsibilidade é determinante. A lógica é simples: quanto menos fricção, maior a chance de criar o hábito de poupar.
Além disso, o novo título tende a aumentar a competição entre bancos, pressionando taxas e incentivando melhorias na experiência do usuário.
Vale a pena investir no Tesouro reserva?
O produto parece especialmente indicado para:
Reserva de emergência
Dinheiro de curto prazo
Pequenas metas financeiras
Investidores iniciantes
Pode não ser ideal para objetivos de longo prazo ou para quem busca rentabilidade acima da Selic.
Ainda é importante acompanhar detalhes como eventual taxa de custódia da B3. Atualmente, investidores são isentos para valores até R$ 10 mil em outros títulos do Tesouro.